Vencer a ansiedade - Uma (não) necessidade.

De forma sábia, somos dotados pela natureza da capacidade de nos anteciparmos aos problemas, evitando assim consequências nocivas à nossa história pessoal. Mas quando a solução perde seu foco , sem saber o que solucionar, ela passa a ser um novo problema; e maior que o problema que visava resolver. De defesa natural a todo ser vivo, passamos a encarar a ansiedade como um mal do século. Crianças ansiosas, adultos ansiosos. Pessoas ansiosas em um mundo acelerado. 


No início do século XX, Freud escreveu: “ Nem sempre é a razão que governa nossas ações. Impulsos irracionais determinam nossos pensamentos, nossos sonhos e nossas ações. “. E hoje, em pleno século XXI, ainda tentamos governar nossas ações sem conhecermos sua razão!

Gestão da ansiedade, em uma visão míope poderia significar técnicas e métodos de nos satisfazer com nosso presente, tendo em vista a razão plausível para isso: ansiedade, além de não resolver, nos traz dor. Por isso a atualidade de Freud ao dizer que “nem sempre a razão governa nossas ações”. Talvez , melhorando Freud com o próprio Freud, a razão consciente não nos governa. Somos regidos por outra razão, fantasística, representativa e imagética!

Mas como se falar de Gestão de ansiedade sob esta ótica, onde o racional não é razão do inconsciente. Onde o que não vemos em nós mesmos, mas nos outros diz mais sobre nossos desejos do que de nossa repulsa?

Longe de validarmos uma fórmula anti-estresse como saída à questão posta, nossa busca ocorre em encararmos o modo como passamos a gerir nossa ansiedade, sem que a desnaturemos. Escutarmos nosso inconsciente, deixarmos que aquilo que desejamos tenha espaço para ser aceito como desejo legítimo de um ser capaz de deseja ( e o que é desejar?). Nas palavras de Freud, a ansiedade neurótica , cujo objeto é aquilo que não localizamos em nós mesmos e por isso tornamos um sintoma, uma repetição ad aeternum. Dar sentido a isso nos levará a uma gestão da ansiedade neurótica.

Somos seres desejantes e compreender o que isso significa é um grande passo para uma gestão de nossa ansiedade.

Palavras chaves desse nosso tema são Inconsciente, desejo, ansiedade, aceitação e angústia. Eu te desafio a enfrentar sua ansiedade como mecanismo natural de um ser que deseja o que não tem e talvez nunca terá!

Formandos em Psicanálise - Educativo 2011

Rod Stewart & Amy Belle I Dont Want To Talk About It 360p SD

E se a sabotagem foi mal intepretada?

"A incapacidade de tolerar a ambiguidade é a raiz de todas as neuroses"(Freud)




A coerência entre o que pensamos e como agimos tem sido apresentada como uma forma de lucidez.  Não passa pela nossa cabeça que alguém em sã consciência, queira algo e  faça de tudo "para não conseguir atingir seu objetivo". Jogarmos contra nós mesmos parece uma estupidez sem tamanho. 


No entanto, esta forma de ver o mundo , considera que de fato saibamos o que desejamos e por isso nossas decisões devem ser consideradas atreladas aos nossos objetivos, de tal forma que  quando nos apercebemos distanciando-nos daquilo que "conscientemente" achamos ser o que almejamos, achamos que erramos. 


Mas e se ao "errarmos" estivermos acertando e na tentativa de corrigir o trajeto, cometemos erros que exigirão de nós mesmos novos erros, que num eterno "devir", como um ciclo sem fim, passamos do erro ao acerto, sem questionarmos porque agimos assim?


Quando Freud escreve que “A incapacidade de tolerar a ambiguidade é a raiz de todas as neuroses", sua declaração se detém sobre a aceitação do que desejamos e não sobre a neurose em si, Não toleramos desejar oq eu não queremos ou desejar o que não queremos.

E se a sabotagem não sabota, mas apenas corrige?





O Inconsciente e como ele atua sobre nós.


Em 1923, Freud em seu texto “ Consciência e Inconsciência” afirma: “A diferenciação do psíquico em consciente e inconsciente é a premissa básica da psicanálise ...”

Suicídio: não há desejo de morrer, mas de parar de sofrer ou O dito que não foi dizido

Certa vez, estava em minha sala de atendimento, e chegou para ser acolhida uma senhora, muito distinta, bem vestida, elegante, fala mansa e pausada. Eu trabalhava nessa época com acolhimento de Pessoas envolvidas em Violência doméstica em um Projeto do Ministério Público do Distrito Federal. O olhar não era de um operador do direito, mas de um Especialista em Psicologia Jurídica que deveria compreender o que se escondia atrás da aparência.
Chamarei esta mulher de Maria. O Encaminhamento médico de Maria era de uma “suicida”. Nunca havia tentado se matar...não havia histórico. Nenhuma ocorrência policial que a envolvesse em conflitos domésticos. Morava em uma casa grande em um bairro de classe média alta, em um condomínio fechado.
Dois filhos adolescentes que, acostumados às discussões dos pais, ilhavam-se em seus quartos e seus fones de ouvido. Enquanto os pais brigavam, os adolescentes mergulhavam em um mundo por eles construídos, uma “secondlife”, um feudo intransponível que de um beirava a rebeldia e de outro a “belle Indifférance”.
Maria, cansada das brigas com o marido inseguro, possessivo, buscava por meio do trabalho e de medicamentos, esconder sua dor. Sua família desconhecia seu sofrimento. Discreta, introvertida, socialmente adequada, por meio de “catarses” em sua igreja, buscava de “alguma forma” se expressar. As desculpas nas idas ao psiquiatra eram sempre as mesmas: tristeza, desânimo, desmotivação. Mas nunca falara em suicídio. Pensava em alguns momentos em sumir, mas eram pensamentos invasivos que logo se dispersavam pelas tarefas a que se impunha.
Certo dia, no fatídico dia do início de sua libertação, de forma irônica (no dia em que Maria Morreu para viver), o casal, como sempre, ensaiou uma discussão...e como sempre seus filhos buscaram sua ilha de conforto. O que fazer em uma família disfuncional que expõe os filhos às suas emoções viscerais? No quarto, a portas fechadas...trancadas...o marido iniciou as agressões físicas. O assunto que motivou a discussão não importava, pois era apenas o “start” para o deslinde de uma tragédia...no sentido autêntico da palavra, onde por mais que se evite o “augúrio”, na verdade seus envolvidos o realizam.
João, nome que darei a este homem, visto pela sociedade como um monstro, mas que aprendi em meus acolhimentos a vê-lo como Vítima de Violência Doméstica (Há muita controvérsia sobre o tema), em seu ato covarde esgana Maria. Não há dúvidas de que a deseja morta! Desejo homicida! Para ele, naquele “locus familiar temporalis”, aquela mulher não deveria mais viver. Ato feito, consumado, o desespero toma conta de João que em ato impensado (Isso existe?) Inicia um processo de ressuscitamento. Que besteira?! João não queria matá-la, mas apenas ser ouvido! (Loucura). Ser atendido! Ser respeitado! Era seu direito! (#SQN). João consegue traze-la à vida, de volta à vida... sua amada esposa, e que vida! Chora, abraça, pede perdão! Quanta passionalidade. Enquanto isso, seus filhos, ilhados, alienados, nada sabem sobre o que ocorre! Por enquanto...
Maria, de vítima resolve se socorrer...pede água, mas não é a sede que a incomoda. Precisa fugir. Vê sua vida ameaçada e num gesto impensado (La vamos nós de novo, como se isso fosse possível), salta da cama em fuga. Mas a porta, como sempre, trancada, para que seus filhos não flagrassem a intimidade do casal. Maria se vê frente a frente com o seu assassino, que novamente se sente traído. Ele a ama...como ela pode enganá-lo de novo! O ato voltará a ocorrer e a tentativa de homicídio será ato! Mas Maria, que morreu a pouco, não quer mais morrer. Tem um último recurso: Matar-se! Isso mesmo. Se eu me matar, não serei mais assassinada! Não sofrerei mais! Maria joga sobre si um litro de álcool e acende um fósforo! Pronto. Feito está! E bem feito! E como disse Pilatos ao apresentar o Mártir inocente: ECCE HOMO! Da mão de João, escapou o ato...de vítima Maria se impôs. Quem me mata sou eu!
Lacan (1979), ao tratar do tema, o chama de “ato Verdadeiro”, aquele que diferente do ato analítico. Em sua “realização” revela a estrutura do ato. Ato é uma ação que manifesta um desejo. Diferente de conduta, própria dos animais, o ato é simbólico por tratar daquilo que se refere ao Signos, seu autor pode é responsável por ele, é ético. O ato pode ser sem intenção consciente, mas expressa um desejo inconsciente, como o ato falho, que somente é falho do ponto de vista da consciência, pois na verdade expressa um desejo inconsciente. Mesmo os atos acidentais são atos verdadeiros dos quais o sujeito deve fazer-se responsável. Sob este prisma teórico, não há tentativa de suicídio, acidente ou desejo não realizado. O ato é a passagem, a saída encontrada por um desejo que não encontra seu significante e foracluido, toca o real. Não há tentativa de suicídio, mas suicídio de fato. Não há tentativa de suicídio, pois desse ato, o homem que o realizou, não volta mais: MORREU. Maria morreu naquele dia. Descreveu-me sua morte como linda, agradável, leve! “Olhei para meus braços em chamas, não doíam, apenas os sentia em chama”(SIC). Essa era a busca...não sentir dor...e pela fala, Maria dispôs seu desejo: parar de sentir a dor daquela vida. Não há no inconsciente a construção de uma vida sem sofrimento, mas de uma nova vida que só será possível com o findar da que vive. Não há vida sem que a morte ocorra. As passagens se constroem como mortes e vivência de luto.
Poderia prosseguir descrevendo que seu salvador foi exatamente seu antigo assassino; que daí em diante as ilhas de seus filhos se romperam, seus vizinhos viram bombeiros, SAMU, polícia entrando na casa. Maria estava nua e morta! Não falo de sua nudez física e nem de sua morte fisiológica! Maria despia-se, revelando a todos “seu mundo sociocultural”,suas “vergonhas”. Sua morte assustou a todos! Mas Maria, a partir desse féretro, uma Fênix, nunca jamais será a mesma. Não há tentativa de suicídio. Há morte real, mais verdadeira que a física, morte de vida. O Simbólico não conteve sua dor, que buscou significado no real. Vazou. E para sempre, como um cristal quebrado, mesmo que colado, nunca mais será o mesmo. Há uma Série premiada pelo que traz cenas que nos lembram essa forma de sofre: Desperates Housewives (2004), onde uma mulher percebe sua vida apenas depois que se mata. Descobre que não é única em sua angustia, quando deixa de perceber apenas sua dor. O suicídio dá sentido a sua vida ( A ideia da série surgiu quando Marc Cherry e sua mãe estavam vendo na televisão uma matéria sobre Andrea Yates, mulher que havia afogado seus cinco filhos na banheira, um por um, aparentemente porquê não suportava o peso da maternidade).
Esse olhar não compõe o olhar do operador do Direito, que treinado em uma Academia, enxerga as Leis e o Jus como mantra a ser recitado e decifrado, inclusive em Latim. Mesmo que a interpretação , a hermenêutica e a exegese jurídicam sejam recursos à disposição, o olhar contaminado pelos conceitos de certo e errado diminuem a capacidade do operador enxergar o todo. A Atenção concentrada, exigida pela função de advogado, juiz ou promotor cega o operador de contemplar o todo da história.. E como um “Cold Case”, as histórias não são decifradas, mas apenas explicadas. Esse olhar não pertence às Ciências Sociais, que treina seis Partícipes a, de forma crítica, avaliarem os sujeitos na sociedade envolvidos. No entanto o olhar da da psicologia, mais estreitamente das Psicologias psicodinâmicas, ...aquela que ferramentada e empoderada pelo direito, dá conta de ver a vida na morte. Perceber a angustia de um ser em busca de significar sua vida é para além do direito, e para além da psicologia (metapsicologia). “Vivo melhor morto”. Não há sentido nessas palavras, mas metaforicamente o sentido é completo. A morte é apenas fim e início. Não morte, mas vida.
A história de Maria nos revela um desejo...o desejo daquilo que dito, deixa de ser “dizido” ( A criança, em sua construção da língua, ao conjugar os verbos , utiliza de regras comuns. Os verbos irregulares são conjugados como se regulares fossem. Por isso é comum que crianças digam o dito como “dizido”. . Ao evocar esse evento, buscamos encontrar nas palavras não o dito, construído pelo consciente, mas o “dizido”, operado pelo inconsciente, desvelando o desejo, ainda que se contraponha à vontade) e busca por meio de metáforas e metonímias, uma realização. Interpretar o suicídio como uma saída e um fim em si é negar que, como seres falantes que somos, desejamos e somos apenas desejo. O desejo nos move ao ato, mas o desejo não é o ato. O Desejo se escora e ampara na falta, no FALO. O Desejo transmuda, movimenta e conduz o sujeito à sua realização , que nunca pode ser completa, pois cessaria o desejo. O desejo sempre remeterá à falta e por isso será contínuo. Para Maria, faltava a vida, e por isso, de forma alguma Maria desejava morrer, mas viver.
Freud (1915), em sua teoria sobre a libido, nos direciona à percepção de que “desejamos” avidamente pela vida (Eros) Daí a conclusão de que o suicídio não pode consistir em uma busca de morte, exceto quando ele é a única saída para se viver. A morte buscada não é a de si mesmo, mas do Outro, que por invadir o sujeito, precisa morrer, ainda que isso signifique atentar contra a própria vida. O desejo não está preso à noção aristotélica e cartesiana de lógica, mas à construção do inconsciente como uma metonímia. O desejo de morrer carrega em si aquilo a que ela, a morte, remete.
O dito, carrega em si uma construção consciente, defendida, contida de recalques, projeções e inúmeros recursos do “eu” na defesa de sua estrutura. Já o “dizido”, metonímia de um desejo, desdenha do real, e por meio do que “não-diz”, o “dizido”, ato desejante de uma criança que jaz em cada um, aparentemente adormecida, mas de fato governadora de todos o nosso “isso” (ID). Por isso, não cabe a casos como o de Maria e de muitas Marias e Joãos compreendê-los como desejosos de morrer, como tendo desistido da vida. Por isso, o suicida realiza um “ato verdadeiro”. Não há, para a psicanálise, tentativa de suicídio. O suicida, ao tentar se matar, morre. Pois o dito foi “dizido”.
Soraya Carvalho, psicanalista, aborda o tema suicídio como uma manifestação humana, uma carta na manga que pode ser usada quando a vida se torna insuportável. Um modo de lidar com a dor de existir. O ser falante, ou falasser, é o único ser vivo que atenta contra a própria vida, que faz da morte uma escolha. Para a autora, o homem só suporta a vida porque tem na morte uma escolha, o que a torna suportável:

O homem suporta a vida pela possibilidade que dispõe de matar-se. A morte é o que torna a vida possível. A vida é real e a morte simbólica, e se o real é o impossível, viver é o exercício da impossibilidade. E o suicídio é uma escolha capaz de dar um significado à vida quando ela chega ao limite da impossibilidade (CARVALHO, 2014, p. 145).

Com o objetivo de tornar a vida viável e suportável, o ser falante ( falasser) coloca paradas, paragens, pausas em sua vivência: mortes, que repaginam sua existência. Isso me leva a pensar em uma paciente que atendi em Brasília: Enfermeira, realizada profissionalmente, mas em um quadro de desinteresse pela vida (suicídio?), relatava desde quando isso começou. A vida dessa moça, filha de uma criança esquizofrênica com um adolescente, abusada psicologicamente pela tia, tornou sua história suportável pela seguinte construção: “Aos 14 anos eu morrerei”(SIC). Isso tornou sua vida suportável, até o dia em que “morreu”. Aos 14 anos de idade a crise tomou conta de sua vida e por não ter uma morte física ( Real), sua morte simbólica precisava tornar-se ato. Seu desejo precisava ter sentido. Ela de fato morreu aos 14 anos, ainda que seu corpo continuasse vivendo. Uma nova pessoa precisava ressurgir, mas seu “cadáver” atrapalhava sua significação. Dizia: “Sinto-me morta” ( SIC). Não há sentido nessa vida. Foi necessário desfazer-se de seu cadáver, viver o luto da perda a fim de que sua nova vivência pudesse aflorar. O “suicídio” era um fato. Mas recusava aceitar que já se matara.
É no encontro com o real, com a impossibilidade, e a angústia advinda daí, que alguns sujeitos escolhem a morte. Mas, de que encontro se trata? Aquilo que parece obra do acaso ou destino, quando na verdade é a repetição do traumático, da constatação da não existência da relação sexual. Há sempre uma falta, o prazer nunca será completo. O ato será “.faltoso”. (falo).

Como um Prometeu acorrentado, viver significa dar conta de a cada dia morrer, permitir suas entranhas serem devoradas, mas com a sapiência de que tudo ocorrerá de novo. Presos ao Feitiço do Tempo. ( Filme de Harold Hamis sobre Phil, um arrogante meteorologista de um canal de TV, cobre a saída anual de uma marmota de seu buraco. Ele é pego em uma nevasca que não estava prevista e fica preso em uma espécie de túnel do tempo, condenado a reviver o mesmo dia até que mude suas atitudes. 1993). Estamos presos ao Feitiço do tempo até que nossas atitudes sejam confrontadas com nossos desejos. Nossa neurose nos conduz a um processo de eterna repetição, até que tenham sentido e possa , significadas, deixarem de ser necessárias.

Notas explicativas
O Projeto do Ministério Público do DF iniciou em 2007 e acolhia mulheres envolvidas em Violência Doméstica, partindo do construto de que a Intervenção legal só deve ser feita amparada por acompanhamento psicológico. Distante do viés de assessoramento, o grupo de psicologia jurídica tornava-se o braço acolhedor e interpretativo do sofrimento das partes. Os Promotores e Juízes aceitavam suspender o Processo da lei Maria da Penha, por um período de seis meses, dando à equipe Multidisciplinar condições de tornar as partes contemplativas de sua situação. Era uma interface entre o direito e o biopsicossocial, onde os conflitos eram acompanhados em sua totalidade.
Dizido: A palavra “dizido” é utilizada neste texto como uma expressão da metáfora da palavra-dita-pela-criança, onde não há compromisso com construções linguísticas, mas apenas com a subjetividade. Partindo do conceito do “parletre” em Lacan (ano), nós nos construímos no consciente a partir da palavra. O Inconsciente se torna consciente apenas por meio da palavra que de dizida, torna-se dita.
Ato Verdadeiro: O Ato verdadeiro nos remete ao fato de que todo ato é auto, posto que para Lacan o ato me separa do outro. O suicídio, sendo um atentado sobre sua própria vida, é por natureza um ato verdadeiro, posto que atua sobre si e o distingue do Outro.
Falo: O Conceito de falo em Lacan nos encaminha ao conceito freudiano de falta, aquilo que percebo não ter, e por isso movimenta o desejo. Pretende-se uma articulação entre ambos a partir da questão: qual a relação da angústia com o suicídio? O termo suicídio pode ser compreendido como "1. Ato ou efeito de suicidar-se. 2. Fig. Desgraça ou ruína procurada de livre vontade ou por falta de discernimento" (Ferreira, 1999, p.1900).

Referências
Lacan, J. Seminário, Livro 1, Os escritos técnicos de Freud. R.J. Zahar. 1979.
FREUD, Sigmund. Obras Completas (Imago) – Vol. 14 Pag. 117
MARÇAL Júnior, Orlando. O Projeto de Justiça Restaurativa na experiência da
Promotoria de Justiça do Gama. Revista IOB de Direito Penal e Processual Penal.
Porto Alegre: IOB, 2008a, n. 51, p. 198-201.
CARVALHO, S. A morte pode esperar? Clínica psicanalítica do suicídio. Salvador: Associação Campo Psicanalítico, 2014.

Resgatando a autoridade por meio das Cinco Atitudes do Amor

Nossa sociedade carece de referenciais de autoridade, Com a queda de tabus e padrões que antes norteava, a crise de autoridade encontrou um campo fértil. Pais não sabem se colocar diante de seus filhos. Compreender nossos limites é a melhor formam de darmos limite a quem amamos. No entanto em uma sociedade que abomina o NÃO, limitar parece obsceno. Nessa crise, em busca de limites, as pessoas impõem sobre seus pares valores que nem elas mesmos entendem como adequados. Resgatar a autoridade torna-se imperioso. Porém como fazer isso com os novos valores de nossa sociedade dita LIVRE? Como criar um canal de amorosidade com nossos filhos, deixando de confundir AMOR com emoções de prazer e bem-estar? Como limitar sem que as relações sejam repletas de culpa, mágoa ou medo de perdê-los?
“Nada irá mudá-lo senão a visão daquilo que o coração dele deseja mais ardentemente”. (pp.27 - O Poder Restaurador dos Relacionamentos Humanos, Larry Crabb) O passo importante a ser dado nesse caminho de resgate é a tomada de atitudes:
1ª ATITUDE
Separe o filho de seu comportamento. Assuma claramente que ama seu filho, São alguns comportamentos dele que não aceita. Pense várias vezes ao dia: amo meu filho, eu não aceito é o comportamento dele. Convença-se disso. Não mistures suas percepções . Nosso cérebro precisa de diretrizes e quando são conflitantes ele toma a decisão de suplantar (recalcar) uma e reforçar demasiadamente a outra.
2ª ATITUDE
Sempre que for falar com seu filho para elogiar e/ou corrigir, deve definir quem é quem nessa relação, e quais suas funções. Sempre comece com as palavras mágicas: Eu sou sua mãe (ou pai), você é meu filho(a) e amo muito você e gostaria... . Nunca se esqueça que SEMPRE seremos os pais e eles os filhos, não importa a idade. Mudança de papel não ajuda. Tornar o filho um pai, impede que ele assuma seu papel.
3ª ATITUDE
Abrace o filho no mínimo três vezes ao dia. Não é um abraço espontâneo; é um abraço planejado, intencional, estratégico, é o “dever de casa dos pais”. Sempre que abraçar, pense na ordem: “o seu coração vai ouvir o meu coração”. Essa atitude simbólica e química promove o rompimento de certezas advindas do confronto. Por mais que haja conflito, você sempre o tratará como seu filho. Sempre o amará. Isso gera no filho a sensação de pertencimento, restaurando sua autoestima.
4ª ATITUDE
Elogie uma vez ao dia seu filho. Aposte no positivo! Como construir um elogio? 1) Identifique o que de positivo o filho fez. 2) Pergunte-se: Qual a qualidade de um filho que faz uma coisa dessas? 3) O elogio é justamente a qualidade, o adjetivo. 4) Após elogiar, é de fundamental importância dizer como você se sente: Feliz, contente, orgulhoso, ... com o comportamento dele. Os elogios por atitudes do passado são sempre bem vindos. É um reconhecimento!
5ª ATITUDE
Use o poder de seus sentimentos e de sua afetividade. Não converse com seu filho cobrando, brigando, usando argumentos racionais. Traga o diálogo para a afetividade, fale na primeira pessoa. Para isso comece sempre o diálogo com a palavra EU! Filhos não ouvem sermão dos pais. Não tenha a ilusão de que ele te ouvirá quando der bronca.

Atitudes simples, mas que ajudarão na reconstrução da sua autoridade. Autoridade vem de relacionamento e não de conquista. Se quer ser respeitado, deverá promover o relacionamento e não a subjugação.

Vencer a ansiedade - Uma (não) necessidade.

De forma sábia, somos dotados pela natureza da capacidade de nos anteciparmos aos problemas, evitando assim consequências nocivas à nossa h...