Em 1923, Freud em seu texto “ Consciência e Inconsciência” afirma: “A diferenciação do psíquico em consciente e inconsciente é a premissa básica da psicanálise ...”
A simplicidade desta declaração obscurece a força das rupturas que causava e causa na compreensão de quem é afinal o humano.
Somos “treinados” a enxergar o humano como um ser “unívoco” e coerente. Quando nos sentimos divididos em vozes ou paradoxos, patologizamos nossos atos e de pronto buscamos um conceito de normalidade como norte e cura. E isso de fato nos adoece.
A pedrada dada por Freud no Narcisismo humano, tirando-o de sua coesão e coerência, aponta-no que, de fato não sabemos quem somos. Na verdade, expressamos defesas do nosso eu que nos constroem e passam a ser apresentadas como se elas fossem nossas expressões. Deixamos de SER para nos COISIFICARMOS. Tomamos por Sujeito, nossos Predicados.
Mas que defesas são essas apontadas pela Psicanálise? De que EU e de quem? Na busca de respostas a essas questões, Freud constrói uma Teoria onde nossas incoerências deixam de ser contempladas como erros, mas uma REDUNDANTE COESÃO. Faltava-nos achar quem somos. Uma Psique que não se dá a conhecer por completo nem a si mesmo, mas que se constrói e se expressa.
O Inconsciente, longe de ser uma entidade distante e distópica, é algo no qual estamos mergulhados e a partir do qual nos construímos. Curiosamente esse mergulho é um ENSIMESMAMENTO, posto que mergulhamos em nós mesmos e não no OUTRO.
Aquilo que chamamos de consciente representa muito pouco daquilo que somos. Aquilo que se compreende esquecido por desuso ou “desimportância”, se facilmente lembrado, constituirá um inconsciente latente, disponível. Mas o que dizer daquilo que REPRIMIDO , não retorna à superfície e quando vem, projeta-se ou desloca-se, de forma a não ser mais reconhecido como seu mesmo?
Àqueles que alegam ser a consciência o que de fato importa, Freud arremata:
“...a psicanálise não pode pôr a essência do psíquico na consciência, mas é obrigada a ver a consciência como uma qualidade do psíquico, que pode juntar-se a outras qualidades ou estar ausente.”

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